Como montar uma franquia em casa
Os modelos home-based costumam ter baixo investimento, mas exigem muita disciplina
São Paulo – De um quarto do seu apartamento, em Campinas, a empreendedora Elaine Cristina Barbosa Alves comanda 40 funcionários. Oito telefones, computador e impressora são os itens básicos de trabalho da franqueada da rede Home Angels, que presta serviços de cuidados a idosos
e doentes. “Eu sou enfermeira e achei que a franquia era uma boa ideia porque eu não precisava de um escritório”, conta Elaine.
Assim como ela, cada vez mais gente busca o modelo de franquia em casa, ou home-based, para virar dono do próprio negócio. O formato ficou popular com o crescimento das microfranquias, negócios que exigem investimento de até 50 mil reais e não obrigam a contratar um ponto comercial.
“Isso é um movimento de mercado recente. O franchising no Brasil sempre acreditou no modelo tradicional, de loja em shopping center. Mas, em outros países, sempre teve esse formato em casa”, explica Marco Imperador, sócio-diretor do grupo Zaiom, especializado neste tipo de negócio.
O home-based é um negócio para quem quer trabalhar. Em geral, são pessoas com atividade profissional liberal que percebem que é difícil vender como pessoa física. “Este modelo serve como porta de entrada para o sistema de franquias. Quem colocar gente para trabalhar fatura mais e depois acaba indo para um lugar maior para tirar do lar a interferência”, conta o executivo.
No grupo Zaiom, são seis tipos de negócios neste formato, como reforço escolar, depilaçã o e cuidad
“Se a empresa não fizer uma seleção adequada do franqueado, não der treinamento e só colocar o produto nas mãos da pessoa, as coisas não vão acontecer”, diz Claudia.
Serviços dominam
As franquias que podem ser instaladas em casa são, na maioria, de prestação de serviços. “Dá para vender produto, mas o foco é na venda de serviço”, diz Claudia. Entre as áreas mais comuns estão TI, com a venda de softwares, agências de turismo, reforço escolar, cuidados para idosos, imobiliárias e serviços de beleza.
“São negócios que o rendimento serve como complemento de renda. Não tem resultado muito alto”, diz Claudia.
Este modelo permite que as pessoas com baixo investimento invistam em ter uma franquia, que sempre foi um tipo de negócio menos acessível. “O franqueado é um perfil emocional, ou seja, é um empreendedor que não se sente seguro em montar um negócio próprio do zero”, define Imperador.
As 637 franquias das seis bandeiras do grupo Zaiom prestam serviços em domicílio e têm carros e uniformes padronizados. “A pessoa deixa de ser amadora para ser mais profissional. Mas, não é um franchising de investidor. É para quem quer trabalhar e não ficar atrás de uma mesa dando ordens”, alerta.
Cuidado na hora de crescer
Com 40 funcionários que se revezam em 18 clientes, Elaine conta que ainda consegue cuidar da operação direto do escritório que tem em casa. Mas, em alguns momentos, precisa alugar uma sala comercial para tirar de dentro do lar o negócio. “O escritório continua na minha casa, só que eu tenho uma sala só para entrevistas e seleção. A casa tem que ser um lugar neutro. Eu alugo este local só no período que vou utilizar e o cliente só é atendido na própria residência”, explica a empresária que está na franquia desde 2009.
Segundo o executivo do grupo Zaiom, o empreendedor precisa estar pronto para crescer e abandonar o sistema home-based. “O modelo não é limitante. O franqueado tem que estar preparado para crescer e passar a funcionar fora de casa, em um ponto tradicional”, explica.Para ele, chega um momento em que a franquia invade a residência de tal forma que o melhor é mudar de local de trabalho.
Geralmente, as franquias são delimitadas por premissas de mercado. “No grupo Zaiom, cada uma atua em um território com 30 mil pessoas das classes A e B”, diz Imperador. Segundo ele, a panfletagem é o método mais eficiente de divulgação. Jornais e revistas de bairro também funcionam bem. “É um negócio sem glamour, que exige que se comece pequeno”, diz o executivo.
Fonte: Exame

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